Credenciamento da escola

28, maio, 2010 admin Sem comentários

Acabamos de receber a noticia de que a Comissão de Avaliação do MEC credenciou a Escola DIEESE de Ciências do Trabalho.
É mais um importante passo na realização do projeto, que nos enche de orgulho e mais responsabilidade.
(Karam)

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O Fetiche da Quantidade

10, maio, 2010 luisribeiro Sem comentários

Texto publicado na Folha de São Paulo, 9 de maio de 2010.

O fetiche de quantidade

Metas de produtividade e burocracia acadêmica diminuem o potencial de pesquisas científicas

A criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil

RENATO MEZAN
COLUNISTA DA FOLHA

A cada tanto tempo, volta-se a discutir como deve ser avaliado o trabalho dos professores. O grande número de pessoas envolvidas nos diversos níveis de ensino, assim como o de artigos e livros que materializam resultados de pesquisa, tem determinado uma preferência por medidas quantitativas.
Se estas podem trazer informações úteis como dado parcial para comparar resultados de escolas em vestibulares ou o desempenho médio de alunos em determinada matéria, sua aplicação como único critério de “produtividade” na pós-graduação vem gerando -a meu ver, pelo menos- distorções bastante sérias.
Não é meu intuito recusar, em princípio, a avaliação externa, que considero útil e necessária. Gostaria apenas de lembrar que a criação de conhecimento não pode ser medida somente pelo número de trabalhos escritos pelos pesquisadores, como é a tendência atual no Brasil. Tampouco me parece correta a fetichização da forma “artigo em revista” em detrimento de textos de maior fôlego, para cuja elaboração, às vezes, são necessários anos de trabalho paciente.
A mesma concepção tem conduzido ao encurtamento dos prazos para a defesa de dissertações e teses na área de humanas, com o que se torna difícil que exibam a qualidade de muitas das realizadas com mais vagar, que (também) por isso se tornaram referência nos campos respectivos.
O equívoco desse conjunto de posturas tornou-se, mais uma vez, sensível para mim ao ler dois livros que narram grandes aventuras do intelecto: “O Último Teorema de Fermat”, de Simon Singh (ed. Record), e “O Homem Que Amava a China”, de Simon Winchester (Companhia das Letras).
O leitor talvez objete que não se podem comparar as realizações de que tratam com o trabalho de pesquisadores iniciantes; lembro, porém, que os autores delas também começaram modestamente e que, se lhes tivessem sido impostas as condições que critico, provavelmente não teriam podido desenvolver as capacidades que lhes permitiram chegar até onde chegaram.

Everest da matemática
O teorema de Fermat desafiou os matemáticos por mais de três séculos, até ser demonstrado em 1994 pelo britânico Andrew Wiles. O livro de Singh narra a história do problema, cujo fascínio consiste em ser compreensível para qualquer ginasiano e, ao mesmo tempo, ter uma solução extremamente complexa. Em resumo, trata-se de uma variante do teorema de Pitágoras: “Em todo triângulo retângulo, a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa”, ou, em linguagem matemática, a²=b²+c².
Lendo sobre esta expressão na “Aritmética” de Diofante (século 3º), o francês Pierre de Fermat (1601-65) -cuja especialidade era a teoria dos números e que, junto com Pascal, determinou as leis da probabilidade- teve a curiosidade de saber se a relação valia para outras potências: x³= y³+z³, x4 = y4+z4 e assim por diante. Não conseguindo encontrar nenhum trio de números que satisfizesse as condições da equação, formulou o teorema que acabou levando seu nome -”Não existem soluções inteiras para ela, se o valor de n for maior que 2″- e anotou na página do livro: “Encontrei uma demonstração maravilhosa para esta proposição, mas esta margem é estreita demais para que eu a possa escrever aqui”.
Após a morte de Fermat, seu filho publicou uma edição da obra grega com as observações do pai. Como o problema parecia simples, os matemáticos lançaram-se à tarefa de o resolver -e descobriram que era muitíssimo complicado.
Singh conta como inúmeros deles fracassaram ao longo dos 300 anos seguintes; os avanços foram lentíssimos, um conseguindo provar que o teorema era válido para a potência 3, outro (cem anos depois) para 5 etc. O enigma resistia a todas as tentativas de demonstração e acabou sendo conhecido como “o monte Everest da matemática”. É quase certo que Fermat se equivocou ao pensar que dispunha da prova, que exige conceitos e técnicas muito mais complexos que os disponíveis na sua época.
Quem a descobriu foi Andrew Wiles, e a história de como o fez é um forte argumento a favor da posição que defendo. O professor de Princeton [universidade americana] precisou de sete anos de cálculos e teve de criar pontes entre ramos inteiramente diferentes da disciplina, numa epopeia intelectual que Singh descreve com grande habilidade e clareza. Não é o caso de descrever aqui os passos que o levaram à vitória; quero ressaltar somente que, não tendo de apresentar projetos nem relatórios, publicando pouquíssimo durante sete anos e se retirando do “circuito interminável de reuniões científicas”, Wiles pôde concentrar-se com exclusividade no que estava fazendo.
Por exemplo, passou um ano inteiro revisando tudo o que já se tentara desde o século 18 e outro tanto para dominar certas ferramentas matemáticas com as quais tinha pouca familiaridade, mas indispensáveis para a estratégia que decidiu seguir. Questionado por Singh sobre seu método de trabalho, Wiles respondeu: “É necessário ter concentração total. Depois, você para. Então parece ocorrer uma espécie de relaxamento, durante o qual, aparentemente, o inconsciente assume o controle. É aí que surgem as ideias novas”.
Este processo é bem conhecido e costumo recomendá-lo a meus orientandos: absorver o máximo de informações e deixá-las “flutuar” até que apareça algum padrão, ou uma ligação entre coisas que aparentemente nada têm a ver uma com a outra. Uma variante da livre associação, em suma.
Ora, se está correndo contra o relógio, como o estudante pode se permitir isso? A chance de ter o “estalo de Vieira” é reduzida; o mais provável é que se conforme com as ideias já estabelecidas, o que obviamente diminui o potencial de inovação do seu trabalho.

Tarefa hercúlea
Outro exemplo de que o tempo de gestação de uma obra precisa ser respeitado é o de Joseph Needham (1900-95), cuja vida extraordinária ficamos conhecendo em “O Homem Que Amava a China”.
Bioquímico de formação, apaixonou-se por uma estudante chinesa que fora a Cambridge [no Reino Unido] para se aperfeiçoar; ela lhe ensinou a língua e, à medida que se aprofundava no estudo da cultura chinesa, Needham foi se tomando de admiração pelas suas realizações científicas e tecnológicas.
Em 1943, o Ministério do Exterior britânico o enviou como diplomata à China, então parcialmente ocupada pelos japoneses. Sua missão era ajudar os acadêmicos a manter o ânimo e a prosseguir em suas pesquisas.
Para saber do que precisavam, viajou muito pelo país e entrou em contato com inúmeros cientistas; em seguida, mandava-lhes publicações científicas, reagentes, instrumentos e o que mais pudesse obter.
Nessxe périplo, Needham se deu conta de que -longe de terem se mantido à margem do desenvolvimento da civilização, como então se acreditava no Ocidente- os chineses tinham descoberto e inventado muito antes dos europeus uma enorme quantidade de coisas, tanto em áreas teóricas quanto no que se refere à vida prática (uma lista parcial cobre 12 páginas do livro de Winchester).
Formulou então o que se tornou conhecido como “a pergunta de Needham”: se aquele povo tinha demonstrado tamanha criatividade, por que não foi entre eles, e sim na Europa, que a ciência moderna se desenvolveu?
A resposta envolvia provar que existiam condições para que isso pudesse ter acontecido, e depois elaborar hipóteses sobre por que não ocorreu. Daí a ideia de escrever um livro que mostrasse toda a inventividade dos chineses, tendo como base os textos recolhidos em suas viagens e as práticas que pudera observar.
Embora o projeto fosse ambicioso, a Cambridge University Press o aceitou, considerando que, uma vez realizado, abrilhantaria ainda mais a reputação da universidade.
“Science and Civilization in China” [Ciência e Civilização na China] teria sete volumes, e Needham acreditava que poderia escrevê-lo “num prazo relativamente curto para uma obra acadêmica: dez anos”.
Na verdade, tomou quatro vezes mais tempo, e, quando o autor morreu, em 1995, já contava 15 mil páginas. Empreendimento hercúleo, como se vê, que transformou radicalmente a percepção ocidental quanto ao papel da China na história da civilização.
O volume de trabalho envolvido era imenso: de saída, ler e classificar milhares de documentos sobre os mais variados assuntos; em seguida, organizar tudo de modo claro e persuasivo, e por fim apresentar algumas respostas à “pergunta de Needham”. Várias pessoas o auxiliaram no percurso (em particular, sua amante chinesa), mas a concepção de base, e boa parte do texto final, se devem exclusivamente a ele.

Monumento
Needham não publicou uma linha de bioquímica durante os últimos 30 anos de sua carreira.
Tampouco tinha formação acadêmica em história das ideias -mas isso não o impediu de, com talento e disciplina, redigir uma das obras mais importantes do século 20.
Se tivesse sido atrapalhado por exigências burocráticas, se tivesse de orientar pós-graduandos, se a editora o pressionasse com prazos ou não o deixasse trabalhar em seu ritmo (o primeiro volume levou seis anos para ficar pronto), teria talvez escrito mais um livro interessante, mas não o monumento que nos legou.
O que estes exemplos nos ensinam é que um trabalho intelectual de grande alcance só pode ser feito em condições adequadas -e uma delas é a confiança dos que decidem (e manejam os cordões da bolsa) em quem se propõe a realizá-lo.
Tal confiança envolve não suspeitar que tempo longo signifique preguiça, admitir que pensar também é trabalho, que a verificação de uma ideia-chave ou de uma referência central pode levar meses -e que nada disso tem importância frente ao resultado final.
Em tempo: um dos motivos encontrados por Needham para o estancamento da criatividade chinesa a partir de 1500 foi justamente a aversão de uma estrutura burocrática acomodada na certeza de sua própria sapiência a tudo que discrepasse dos padrões impostos.
Enquanto isso, na Europa (e depois na América do Norte) a inovação era valorizada, e o talento individual, recompensado. Nas palavras de um sinólogo citado no fim do livro, o resultado da atitude dos mandarins foi que “o incentivo se atrofiou, e a mediocridade tornou-se a norma”. Seria uma pena que, em nome da produtividade medida em termos somente quantitativos, caíssemos no mesmo erro.


RENATO MEZAN é psicanalista e professor titular na Pontifícia Universidade Católica de SP. Escreve na seção “Autores”, do Mais!.

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Colóquio Internacional – Políticas Educacionais e Exclusão Social na América Latina

12 – 13 – 14 DE ABRIL DE 2010 | Rio de Janeiro, Brasil

Convidados Internacionais:
Carlos de Feo – CONADU, Argentina | Fernanda Saforcada – CLACSO / UBA, Argentina | Hugo Aboites – UAM-Xochimilco, México
Illionor Louis –CRESFED, Haiti | Ingrid Sverdlick – FLAPE / UPBA, Argentina | Jorge Landinelli – UDELAR, Uruguai
Manuel Iguiñiz – TAREA, Peru | Orlando Pulido – UPN, Colômbia | Pablo Venegas – PIIE, Chile
Rafael Lucio Gil – UCA, Nicarágua | Víctor Manuel Moncayo – UNC, Colômbia | Yamille Sokolovsky – CONADU, Argentina

Convidados Nacionais:
Camila Crosso – CLADE | Dalila Andrade Oliveira – UFMG | Deise Mancebo – UERJ
Emir Sader – CLACSO / UERJ | Florencia Stubrin – CLACSO / IUPERJ | Gaudêncio Frigotto – UERJ
Graça Bollman – UNISUL | Lia Faria – UERJ | Pablo Gentili – CLACSO / UERJ
Renato Ferreira – UERJ | Ricardo Vieiralves – UERJ | Roberto Leher – UFRJ
Rogéria da Silva Martins – UERJ | Vera Correa – UERJ | Waldir Jorge Ladeira dos Santos – UERJ

Conselho Latino-americano de Ciências Sociais – CLACSO | Fórum Latino-americano de Políticas Educacionais – FLAPE
Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana – UERJ
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPEd | Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais – FLACSO / Brasil

MAIS INFORMAÇÕES:
http://www.clacso.net/coloquio_internacional/index.htm

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Chico Mendes – Cartas da Floresta

18, janeiro, 2010 Maurício Sem comentários
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Ano novo, Casa nova

22, dezembro, 2009 admin 1 comentário

20091217 DOU

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Parabéns

23, novembro, 2009 Maurício Sem comentários

Este é um momento histórico para nós trabalhadores. Um passo ao mesmo tempo ousado e leve. Estudar o movimento histórico a partir  da observação dos trabalhadores.  A instituição é nossa. Acertaremos e erraremos juntos, é lógico, dependendo do ponto de vista, mas faremos juntos.

Coloquei um vídeo no youtube no ato da assinatura com a Univesidade Federal da Bahia, feito pelo celular, mas com objetivo de registrar o momento.

http://www.youtube.com/watch?v=APeE4xkv_DA

Saudações


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Trabalhador pode sonhar?

22, novembro, 2009 Vera Oliveira 3 comentários

O que o texto do Marcelo Gleiser me fez pensar? Que eu adoraria ter podido escolher o que eu queria fazer: dançar, cantar, cuidar de bichos… Eu não tive essa oportunidade. Virei professora por que era “o que estava disponível” no meu universo de sonho… Nunca pensei que poderia contar estrelas, que lindo, né? Contar estrelas…
A gente que vive de um salário tem que pensar assim: isso que vou fazer vai me dar dinheiro para comer, morar, me vestir? Vou dançar? Mas quanto ganharei com isso??? Então, o trabalho ta bem distante do prazer… o que é uma pena… Hoje gosto muito de ser professora, mas fui aprendendo o que poderia ser bom nisso, nunca pensei na profissão como algo que poderia me dar prazer. Mas afinal, o Marcelo fez o que ele queria ou o que o pai queria?

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Contando estrelas

13, novembro, 2009 admin 2 comentários

“Mas quem é que vai te pagar pra você ficar contando estrelas, filho ? Você não acha essa sua ideia de ser físico meio maluca?  Afinal de contas, o que é que significa ser cientista?  É ficar pensando no mundo, dando aulas na universidade?  É isso?   É esse o futuro que você quer ?  Coisa de sonhador,  isso sim !”

Foi o que o pai de Marcelo Gleiser disse quando ele teve coragem  de lhe contar que havia decidido se transferir do curso de engenharia quimica para o curso de física.

“Meu pai, um excelente dentista, queria que eu aplicasse meu interesse pela ciência em coisas mais concretas, mais práticas, do que o estudo do universo, das estrelas, dos átomos e coisas ainda menores do que eles. Pois é, meu pai achava que eu devia cursar engenharia: “ o Brasil precisa de engenheiros”, dizia. E, na visão dele, ser cientista era uma escolha meio arriscada para meu futuro profissional.”

O problema não era a engenharia, mas o que Marcelo queria fazer da sua vida.

Ele conta que desde criança perguntava como era possível existirem tantos animais no mundo. “O que determinava quantos animais podiam existir na terra ? Será que existiria alguma explicação para isso?  A coisa foi ficando mais interessante quando descobri que não foi sempre que existiram os animais ou mesmo a Terra. Ou seja, tudo o que existe, das montanhas e oceanos aos animais, e até  o próprio mundo,  tem uma história com começo, meio e fim.  Essa foi a revelaçao mais importante da minha vida. Se tudo tem uma história, talvez seja possível descobri-la. Como surgem e desaparecem os animais, os planetas, as estrelas e mesmo o Universo que contém tudo o que existe ?  O que pode ser mais fascinante do que passar a vida tentando decifrar esses mistérios ?  Era isso que eu queria fazer quando crescesse. Concluí que é inútil tentarmos ser o que não somos.”

Marcelo Gleiser O livro do cientista. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2004: 11-14
(Marcelo Gleiser é físico e astrônomo, pesquisador, professor e cientista)

Pode ser que viver essa experiência com 18 anos, recém saido do colegial, seja diferente de viver depois de uma trajetória de trabalho e de vida onde o trabalho chega antes que a necessidade de ir pra escola.  Estudar  a gente sempre pode, mesmo sem escola. Aprender a gente sempre aprende mesmo fora da escola.  Portanto a escola superior aparece num momento das nossas vidas como possibilidade, não como obrigação.  E envolve escolhas.

Que significados tem essa escolha? O que queremos ser? O que determina essas escolhas? O que isso tudo nos faz pensar?

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Escola DIEESE

30, setembro, 2009 Reginaldo 1 comentário

Karam você é show.

Um abraço

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