Depoimentos

 

 

Uma iniciativa que é, realmente, muito promissora, que vai aumentar a interlocução, certamente, entre a universidade e o mundo do trabalho.
                                                                                                                                                                                                 Prof. Dr. José Ricardo Ramalho,
                                         da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 

 

 

A Escola DIEESE não representa somente uma preparação técnica, também é a realização de um sonho: completar um curso superior. As matérias e os conteúdos estão relacionados com minha história e minha atividade no movimento sindical. É uma ótima oportunidade para o aperfeiçoamento como aluno, como sindicalista e como cidadão.
                                                                                                                                                                                                          Luís Carlos de Oliveira, aluno

 

 

A Escola DIEESE é um avanço para o movimento sindical e para as entidades sociais. Amplia o conhecimento eforma cidadãos livres. O aluno não é tratado como um objeto, porque pode trazer suas experiências e trocá-las com professores e colegas de classe. Na Escola DIEESE, a formação é mais voltada para a vida.
                                                                                                                                                                                                                    Rafael Alves, aluno

 

 

Para mim, o curso de Ciências do Trabalho foi uma grata surpresa, que traz um enorme desafio. Surpresa, porque esta é minha primeira graduação. Tudo é instigante, novo, apaixonante. E desafio, porque mostra que há muito a ser feito para fazer um contraponto à forma como as questões do trabalho são tratadas na sociedade.
                                                                                                                                                                                                                 Paulo Prado Vereiza, aluno

 

 

É uma enorme satisfação fazer parte da história de uma instituição consagrada como referência nacional e internacional em estudos e estatísticas sociais. Na sala de aula da Escola DIEESE, temos grandes debates. São análises que levam, cada vez mais, ao aperfeiçoamento e à produção de novos conhecimentos. Tenho orgulho de fazer parte da construção de um novo conceito na educação brasileira. Ser, ao mesmo tempo, sujeito e objeto contribui para que nossas pesquisas sejam ricas e concretas na produção do conhecimento social do trabalho.
                                                                                                                                                                                                                      Rodrigo Maciel, aluno

 

 

Antes, não tinha ideia de que podia pensar de forma diversa das pessoas ao meu redor. Um dia, vi um anúncio da Escola DIEESE e me animei em investigar o assunto “trabalho”. Descobri um mundo totalmente novo. Aqui, compartilhamos tudo. O aprendizado é feito em grupo e não poderia ser diferente, pois o pensamento se materializa quando o expressamos e pode ser transformado em símbolos diferentes para cada um de nós. O DIEESE fez uma escola de trabalhadores e isso faz toda a diferença, pois não somos estudantes que trabalham; ao contrário, somos trabalhadores que estudam e, o melhor de tudo, nos apropriamos da nossa história.
                                                                                                                                                                                                                         Roseli Flori, aluna 




UMA ESCOLA SINDICAL¹

 

Autor: Frei Betto²

 

          Completam-se, neste ano, duas décadas sem Paulo Freire, educador popular pernambucano que sistematizou a pedagogia do oprimido a partir de trabalhos de base e alfabetização, tanto no Brasil como em diversos países.

          Também 2017 marca o centenário da primeira greve geral no Brasil, desencadeada a partir da paralisação de operárias da indústria têxtil em São Paulo. Elas reivindicavam aumento de salário e redução da jornada de trabalho, até então não garantidos por lei. Em poucas semanas a greve se espalhou por diversos setores da economia, pelo estado de São Paulo e, em seguida, Rio e Porto Alegre.

          Paulo Freire e a greve geral de 1917 aproximam-se nesta iniciativa pioneira do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) - a Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, que há pouco visitei em São Paulo.

        Credenciada pelo Ministério da Educação em 2012, a escola oferece um inédito bacharelado interdisciplinar em Ciências do Trabalho, com duração de três anos. Três turmas, com 60 alunos no total, já se formaram no curso, e outras três seguem em andamento. A partir de 2015, a escola passou a oferecer também curso de pós-graduação em Economia e Trabalho, com 35 alunos em duas turmas já formados e atualmente com duas turmas em andamento.

        Paulo Freire escreveu que “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”

        A proposta pedagógica da Escola DIEESE visa a alfabetização política de trabalhadores para a ação sindical. Tarefa urgente diante das ações do governo Temer e do Congresso Nacional dominado por interesses empresariais empenhados em desmontar o sistema brasileiro de relações de trabalho e favorecer as empresas nas negociações com os sindicatos.

        A educação popular não é apenas uma forma de inovar o processo ensino-aprendizado, mas expressa uma concepção ideológica de ser humano e de mundo. Ela antecede a educação escolarizada, pois se refere às trocas de saberes que circulam no cotidiano de organizações sociais e sindicatos, não estruturadas a partir da divisão social do conhecimento.

         A educação popular também pode ser definida a partir dos movimentos políticos com caráter educativo presentes no Brasil e na América Latina desde a década de 1960. Uma educação que se reivindica política, humanizadora e construtora de um projeto novo de nação.

        A Escola DIEESE retoma a formação sindical com intencionalidade transformadora da realidade. Toda ação de opressão se defronta com uma ação de resistência de homens e mulheres que lutam, no cotidiano, por mais liberdade. No entanto, a resistência, assim como a opressão, nem sempre é vivenciada de forma consciente por educandos e educadores.

        Essa percepção é uma descoberta que exige releitura do mundo. Muitos sindicatos e a Escola DIEESE buscam ser um espaço de cultivo dos elementos de resistência que se expressam de diferentes formas. Descobri-los e potencializá-los é um longo caminho a ser trilhado por educadores e educandos. Afinal, como escreveu Paulo Freire, “a pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel nela. Recusa a se acomodar, mobiliza-se, organiza-se para mudar o mundo.”

        Foi assim na greve de 1917. É urgente que seja assim no Brasil a partir deste ano de 2017.

 

¹ Artigo publicado na Revista Caros Amigos, edição 247, de outubro de 2017

² Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros